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don’t be alarmed, we’ll be fine

Estive três horas a ver o mundo de onde tu o vês e continuo confuso. O tempo está a passar lá em baixo com a mesma velocidade que passa aqui? Estamos todos tão agarrados às coisas, como se fosse acabar. Ainda agora começou – eu penso. Ainda agora começou e já estamos todos de músculo rijo a segurar o que escorrega e o que não foge. Agarramos tudo, temos os braços compridos.

Estão escritos seiscentos e trinta e oito quilómetros por hora. Nem escritos são já – e aposto que isto te faria muita confusão – são embutidos numa placa digital, mais perfeitos, mais redondos que uma curva desenhada com setenta e quatro casas decimais do número irracional mais famoso do mundo. Está então escrito tudo isso e eu penso no elefante. Na viagem. Na vida de toda a gente que estou a pisar num só passo, no espaço-tempo onde estou sentado e onde me mexo com energia cinética máxima, no espaço-tempo onde todos os outros – elefante incluído – se mexem em passos tão infinitos que nem se contam. Toda a gente perde o mesmo?

É o problema destas merdas: nada é linear. Vou ali acender mais um e ver se te vejo no breu. Hei-de morrer antes de o elefante chegar a qualquer sítio.

Categories: Escritos
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