Rule nº1: Communication, ladies and gentlemans.
I feel the pain of everyone
Then I feel nothing
estou além
Fodemos a cabeça e o corpo com drogas e álcool, tentamos moldar-nos ao mundo e às pessoas – porque nascemos todos fáceis demais – mas nunca chegamos a consegui-lo a tempo.
3.3.08
I’ll be with you when the deal goes down
A luta não é para não ficar sozinho no natal. Ou no fim de ano. Ou no aniversário. A luta deve ser mais que isso, deve ser desigual. Deve arrebatar-nos ao fim do dia de tal modo que tenhamos que dar graças por ainda estarmos de pé, deve sugar-nos tudo.
Não se pode parar, ninguém espera, ninguém respeita, ninguém. E se no fim não ficar, de facto, sozinho, posso guardar isso cá dentro já que não sei quando irei precisar do reconforto de um abraço completo.
I don’t believe in writer’s block
Foi um daqueles em dias em que me imaginava a chegar a casa e abrir uma cerveja só para pôr um pouco de calma nisto. E amanhã será outro e assim seguindo sem muito mais que saber. Não sou de conversas, não sou de me expressar. Vou juntando folhas e mais folhas de papel até que um dia bebo mais que uma cerveja e leio-as todas em voz alta, com mil pedras no peito e outras mil a embargar a voz.
Não meço as palavras, perco-me hoje e sempre, perco-me no espaço que não acaba na folha branca que tenho à frente e perco-me quando peço que me acompanhem o pensamento, quando é por demais evidente que o mesmo se tornou imensamente difuso. Então preparo um recital de palavras que mais do que acertadas, sabem bem, e subo até ao fim, de onde vou acenar e esperar.
Agora chego a casa depois de mais um dia sem fim, quezilento, onde desisti e cedi ao peso das horas. Chego a casa e não tenho nada. É o maior susto do dia, perceber que no processo de tentar ser melhor e de tentar alguma resposta exterior a estes pares de pilares contraventados, a única coisa que recebo é um gigantesco nada, um vazio de merda que me dá sede de vícios e mais vícios e me fecha a inquietude na gaveta mais escondida de todas.
ai os anos 90
Em 1994, andava eu provavelmente a esfolar os joelhos no recreio de uma qualquer respeitada instituição do ensino básico, andavam estes gajos, os Pavement, a viver o auge das suas vidas. E o senhor que por eles dá a cara, Stephen Malkmus, muito possivelmente com a heroína a galgar-lhe veia acima, compôs esta música. Para mim é sobre os prós e contras de alguém que estava com ele numa relação. A ele deve suscitar-lhe todo o tipo de memórias boas. Chamo atenção à linha and you’re the kind of girl I like, because you’re empty and I’m empty. Uma inspiração
take care

Hoje descobri que foi a inquietude que me trouxe até aqui. Não foi a tristeza, não foi o medo, não foi a solidão. Foi a inquietude.
Ainda estou à procura não sei muito bem do quê, mas é o que me move e o que me tira do fundo do sofá. O que faço é tentar matar a solidão, mais do que o tempo. Nunca me convenci que poderia controlar o tempo, por outro lado é evidente que a solidão é como se fosse um gigante saco de compras, onde nos perdemos se não encontramos rapidamente o que procuramos. O que procuro eu, neste caso.
É essa inquietude que me faz estender o corpo e ceder mais um pouco da minha companhia. Tudo para não ficar só muito mais tempo, para não ficar para trás, onde nem com o tempo me conseguem vir buscar. Sim, porque o tempo é intangível e o que agora faço todos os dias é apostar contra ele, ganhando cada vez mais do que é bom. Cada vez mais de ti.
Portanto: Put me on your supermarket list
Como dizia aquele gajo que actualmente perdeu a magia toda.
this belief stand from early exposure to sad brittish pop music
